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Finanças no casamento - Vamos conversar sobre?

O amor pode unir corações, mas como o casal lida com o dinheiro pode definir a solidez da relação. Dívidas escondidas, falta de planejamento ou simplesmente o silêncio em torno das contas transformam o dia a dia conjugal em um terreno de tensões e desgastes emocionais.

Família

04.11.2025 - 15:51:00 | 6 minutos de leitura

Finanças no casamento - Vamos conversar sobre?

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a dimensão desse desafio. Em 2023, o Brasil registrou 440.827 divórcios, um aumento de 4,9% em relação a 2022. O levantamento revela ainda que metade das separações acontece em menos de uma década de união — a duração média dos casamentos caiu de 15,9 anos em 2010 para 13,8 anos em 2023. Nesse mesmo período, foram celebrados 940,8 mil casamentos, número 3% menor do que no ano anterior.
Outra pesquisa do IBGE aponta que mais de 60% dos divórcios estão ligados a questões financeiras. A falta de comunicação sobre dinheiro, a divisão desigual de despesas e dificuldades econômicas do casal estão entre as principais causas de conflito conjugal.
O Papa Francisco (2013-2025), na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, recorda que o matrimônio é uma comunhão de vida e amor que exige diálogo constante e disposição para enfrentar juntos as dificuldades do dia a dia. Ele lembra que “os problemas econômicos retiram tempo da convivência e, muitas vezes, geram tensões” (AL, 50), mas também reforça que os desafios, quando vividos em parceria, podem fortalecer o casal.
Nesse sentido, o planejamento financeiro não deve ser visto apenas como uma técnica para organizar contas, mas como um exercício de comunhão: partilhar sonhos, responsabilidades e decisões. Cuidar do dinheiro junto é também cuidar do amor.

Preparação para a vida a dois 
O casal Anilson Fagundes de Oliveira e Magna Nerci Garcia de Oliveira, coordenadores do setor pré-matrimonial da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Maringá, explica que a preparação dos noivos já inclui um espaço dedicado ao tema da vida financeira.
“Dentro do novo formato de preparação, que segue o Itinerário Vivencial de Acompanhamento Personalizado para o Sacramento do Matrimônio, temos oito encontros com temas diversos. No 4º encontro, trabalhamos o tema “Matrimônio – Sacramento do dia a dia”, em que o foco é justamente esclarecer questões da vida financeira, organização da casa, do trabalho e do lazer”, detalha Magna.

Casal Magna e Anilson

"A Igreja entende que a vida financeira precisa ser pensada e planejada, Assim como o equilíbrio espiritual e emocional

Segundo ela, o assunto também retorna no 7º encontro - “As crises como possibilidade de crescimento” - quando os noivos partilham experiências de suas famílias e refletem sobre os desafios que podem enfrentar. “A Igreja entende que a vida financeira precisa ser pensada e planejada. Assim como o equilíbrio espiritual e emocional, também é necessário equilíbrio financeiro, para que a família consiga suprir suas necessidades básicas sem sacrifícios e sem desavenças.”
Entre os maiores desafios observados estão a imaturidade dos casais muito jovens, ainda dependentes dos pais, e a dificuldade de lidar com a cultura do descartável e o consumo compulsivo. “Por isso incentivamos muito o diálogo e a escuta ativa. É fundamental que o casal partilhe sonhos, responsabilidades e expectativas, aprendendo a caminhar juntos também nesse aspecto”, afirma o casal.
Eles ainda ressaltam que a missão da pastoral vai além de oferecer encontros. “Nosso objetivo é acolher, acompanhar e ajudar os casais no discernimento vocacional, inserindo-os na vida comunitária. Queremos que eles continuem tendo apoio e orientação após o matrimônio, não apenas na preparação para o sacramento.”
Nesse sentido a Pastoral Familiar reforça a importância do diálogo, do equilíbrio espiritual, emocional e também financeiro como pilares que ajudam os casais a superar crises e permanecerem fiéis ao compromisso assumido diante de Deus.

Erros financeiros mais comuns
Segundo a educadora e consultora financeira Rafaela       Nogueira, um dos maiores problemas nos relacionamentos é a chamada infidelidade financeira — quando um dos cônjuges omite ganhos, esconde gastos ou realiza compras sem contar ao outro. “Da mesma forma que existe a fidelidade conjugal, também é preciso cultivar a fidelidade financeira. Quando o casal esconde informações sobre dinheiro, surgem desgastes que comprometem a confiança e o futuro em comum”, explica.
Outro erro recorrente é a competição dentro do casal. Quando um ganha mais, muitas vezes assume o poder de decisão, colocando o outro em posição de submissão. “O casal precisa se ver como parceiros, não como concorrentes. A renda é da família, não de um ou de outro. Quem administra pode até ser só um, mas ambos precisam estar cientes de como o dinheiro é usado.”
Para a especialista, o planejamento financeiro é muito mais do que uma planilha de contas: é um ato de parceria e construção de futuro. “O casal que planeja junto olha na mesma direção. Primeiro, com o planejamento mensal — entender o que entra e o que sai — e depois com metas de curto, médio e longo prazo. É isso que gera motivação para conquistas maiores.”

"O casal precisa se ver como parceiros, não como concorrentes 

Rafaela explica que quem nunca organizou as finanças pode começar com um check-up financeiro. “Liste todas as despesas fixas (aluguel, contas, financiamento), inclua as variáveis (alimentação, lazer, transporte), mapeie as dívidas e parcelas pendentes e registre também os gastos individuais.”
A partir disso, é possível aplicar métodos simples de organização, como o 50-30-20 (gastos essenciais, não essenciais e investimentos, respectivamente) ou o 70-30 (despesas e investimento, respectivamente). O primeiro investimento, lembra ela, deve ser sempre a reserva financeira. “Casais são sócios de uma vida. Quando entendem isso, apoiam-se mutuamente, conquistam mais e transformam sonhos em realidade”, conclui a especialista.

Rafaela Nogueira - Consultora Financeira

Uma vocação de comunhão e fraternidade
O Papa Francisco, em Amoris Laetitia, recorda que a vida matrimonial é construída diariamente com gestos de amor e de cuidado mútuos. Ele ressalta que o casamento é um caminho de comunhão, onde “ninguém pode enfrentar a vida sozinho” e que “a alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja” (Amoris Laetitia, 1).
Assim, quando os casais aprendem a dialogar, a partilhar responsabilidades e a caminhar juntos também no campo financeiro, fortalecem não apenas a vida a dois, mas também testemunham ao mundo que o matrimônio é uma vocação de comunhão e fraternidade.


7 passos para uma vida financeira saudável no casamento:
• Conversem sobre dinheiro sem tabu: estabeleçam um momento fixo para falar de finanças, sem acusações, com foco em soluções.
• Definam metas em conjunto: viagem, casa, educação dos filhos. Ter objetivos comuns ajuda a manter o compromisso.
• Dividam responsabilidades: cada um pode cuidar de uma parte do orçamento (contas fixas, investimentos, etc.).
• Façam um orçamento do casal: listem todas as receitas e despesas. A transparência evita surpresas e conflitos.
• Criem um fundo de emergência: a reserva financeira dá segurança e reduz brigas em situações inesperadas.
• Estabeleçam limites para gastos individuais: cada um pode ter uma quantia livre para gastar sem precisar justificar.
• Busquem conhecimento juntos: participar de cursos ou leituras sobre finanças pode fortalecer o diálogo.  

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